Hoje liguei pra minha mãe e ela disse que estava no hospital. Antes que dissesse qualquer outra palavra, senti um desespero absurdo. Meu irmão estava tendo a perna engessada. Parei de respirar de vez. Em quase vinte anos de vida, se imobilizei um dedo foi muito. Nunca nem aprendi a dar estrelinha com medo de quebrar o pescoço! Fiquei chocada, ainda que sem motivo, afinal, crianças fazem isso, não fazem? Nos preocupam, se machucam, pioram e melhoram. Meu pequeno então pegou o telefone e começou a conversar comigo, com a voz mais tranquila do mundo. Acabou minha taquicardia e senti meu corpo se resfriar como uma locomotiva no momento da parada. Meu caçula relatou o incidente, e, como deduzi, ele tinha caído na escola. Continuou e contou que fez um escândalo no consultório e o justificou com sua 'falta de costume de colocar gesso'. É tão espetacular o raciocínio de alguém de oito anos! Em determinado momento do diálogo, Frederico me disse que era mesmo um imbecil. Não pude controlar as gargalhadas e a curiosidade. 'Só dá tudo errado na minha vida, irmã. Eu vou ter que ficar 15 dias com o gesso e não vou poder dançar na festa junina. E olha que eu estava dançando com a Gabi nos ensaios!'. Ok. Meu irmão é mais uma vítima do surto coletivo. Todos os dias escuto no mínimo cinco pessoas reclamando de suas vidas ruins e atribuladas - eu mesma respondo por quatro delas, visto que moro sozinha e tendo a falar muito com as paredes. De qualquer forma, ao ouvi-lo proferir essa frase apocaliptica respondi prontamente:'pelo menos você dançou com ela essa semana todinha'. E ele se sentiu melhor. Realmente, preciso levar meus sábios conselhos de irmã mais velha pra minha própria vida. Tudo realmente poderia estar pior. E mesmo com esse tempo que não passa, me sinto tão bem! É como se eu tivesse saído de um momento tão ruim, mas tão ruim, que tivesse se tornado imperativo ver o lado bom das coisas. Na verdade, não sei se é o lado bom, se é o lado avesso, se é o lado certo, mas, definitivamente, vejo um outro lado na minha rotina. E acabo vendo na dos outros também. Embora eu não tenha passado por dificuldades ou tristezas recentemente, me sinto como se tivesse acabado de cruzar um deserto com o amigo Moisés por 40 anos, sem a menor razão aparente. E tudo fica tranquilo e bonito, mesmo quando tenho crises acadêmicas. Qual o nome disso mesmo? Acho que é alegria. É, deve ser. Eu estou alegre. E cansada. E vomitando parágrafos. E dormindo. E falando, pra dentro por fora.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Monólogos de Outros
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Monólogo de Dois - Parte XXXVIII
Eu tenho plena consciência de que muitas coisas nessa vida me irritam. Tenho total noção de que meu pavio com situações corriqueiras não é nenhum curto, mas não inexistente. Mas, se eu tivesse que fazer um ranking, um Top Five de coisas que me irritam DE VERDADE, acredito que o primeiro lugar seria da batalha entre a cabeça e o coração. Mete e sentimento. Minto e sinto muito.
Por que raios a gente não consegue desvencilhar um do outro? Por que não se pode ligar um, quando for a sua vez de trabalhar, e desligar o outro, quando não for a sua hora de entrar em ação? Mesmo esse assunto sendo clichê – outra coisa que me irrita profundamente -, atenção tem de ser dada.
Não tem jeito: quase sempre, quando a nossa cabeça percebe que alguma situação da vida não nos é mais positiva e benéfica, tem sempre o coração pra te falar: “Ah, espera mais um pouco! Você tá sendo muito precipitada, Priscila! Me escuta! Me ouve!” Muitos dizem que saber ouvir o coração é uma arte, uma benção, um talento. Vai ver que, em dados momentos, deve ser mesmo. Mas, em outros, quando você percebe que, de fato, não dá mais, e só quer sair correndo, por que esse coração de papel resolve se transformar em pedra e ser mais pesado que o seu gelatinoso cérebro?
Se a gente abstrai a existência dele, sofre depois. Se a gente escuta o que ele tem a dizer, sofre agora. Ou seja, no final das contas, parece que o sofrimento é inevitável, quando se está prestes a tomar uma decisão que venha a mudar a sua vida. Vai ver que é assim que as coisas devem funcionar mesmo: toda escolha tem um lado bom e ruim, cabendo a quem escolheu saber lidar com a parte negativa e maximizar a positiva, mostrando que valeu a pena ter ido por aquele caminho...
Acho que isso se chama maturidade. Racionalismo. Praticidade. Frieza. Chame como quiser. Acho que isso é necessário, em alguns momentos da nossa vida, pra que a gente possa ir adiante. Tem vezes em que sentir não basta. Tem vezes em que é preciso pensar também. Mesmo que aperte o que sente, racionalizar é preciso.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Monólogo de Dois - Parte XXXVII
Não sei se é por causa do meu signo ser o de Leão. Não sei se é pelo minha personalidade. Não sei se é pelo fato de que eu sou um ser humano – apesar de, às vezes, mais parecer uma mula, de tão irracional-. Vai ver que é coisa de mulher. Vai ver não é nada visível. A questão? Simples, mas complexa: todos nós temos objetivos na vida. Criamos um atrás do outro, nos mais diversos caminhos e setores da nossa vida. No profissional, queremos promoção. No amoroso, queremos redenção. No pessoal, queremos atenção. E essas coisas todas que sempre queremos parecem, na maioria dos casos, estar bem distantes do que nossas mãos podem tocar, no olhos, ver, e nosso coração, internalizar. Nesse sentido, nesse caminho, andamos, atrás delas, sem saber ao certo se estamos indo pela direção correta. Sem saber se estamos indo, na verdade, a canto algum. Vamos reto, com algumas curvas e um objetivo fixo: conquistar aquele objetivo. Mas e quando conseguimos?
E quando, depois de tanto esforço depositado, tanta energia empenhada, a gente consegue o que queria, como boa e clássica criança mimada que consegue o seu pônei de aniversário? Às vezes, o mais angustiante acontece: vemos que, depois de tudo e todos, aquilo que a gente tanto buscou não era. Não era o que achávamos ser. Não é suficiente para nós, eternos insatisfeitos.
Alguns dizem: ótimo, então! Tem, agora mais um incentivo para continuar evoluindo. Evoluindo, ok. Mas evoluindo pra quê? Por quem? E, o mais abstrato, até aonde? Sim, porque, na vida, somos inclinados e criados de modo a sempre buscar melhorar o pior. Mas quem disse que o diferente é, realmente, melhor? Diante disso, por que raios eu devo continuar a seguir?
Simples, mas complexo: a gente segue por instinto, só pode. Somos mulas e/ou seres humanos, animais condicionados a sempre ir, mesmo que voltando. Devemos sempre olhar pra frente, mesmo retificando um caminho inadequado e dando marcha à ré.
O mais difícil nisso tudo não é chegar ao objetivo. Isso, com o tempo de vida, fica até fácil, decorado e ensaiado. O pior é perceber que aquilo não era pra ser como tem sido. O mais agonizante é constatar que, infelizmente, aportamos no país errado. Pousamos na pista trocada.
É hora de ir pra outro lugar. É momento de, aí sim, usar toda a força que um dia nunca se pensou em ter. Criar a chamada coragem, duplicá-la e reaplicá-la no nosso próximo objetivo. No próximo intuito.
Afinal, somo seres errantes, gritantes e nômades nas nossas próprias vidas. Mesmo que, por vezes, as nossas vidas se cruzem com a de outros, nada garante que ficarão sempre em transversal. É necessário ser Homem, com letra maisúscula, pra continuar seguindo. Sem saber ao certo pra onde ou por quê. Mas sempre tendo em mente que, quem sabe, vai valer a pena.
E isso basta.
Tem de bastar.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Monólogo de Dois - Parte XXXVI
Aquela fase inicial é a personificação de qualquer conto de fadas. Cada beijo, um novo detalhe. Cada olhar, uma nova experiência, cada sorriso, um brilho nos olhos que nos faz esquecer. Esquecer que esse frenesi todo, uma hora, passa.
Que que eu faço, então, quando vem o tempo, maldito e certeiro, trazendo com ele seus famosos tapas na cara? Não que aquela pessoa, de onde vieram tantos brilhos e sorrisos, tenha morrido. Ela só apareceu, de verdade, como é.
Nessa hora, as opções são duas: ou você, covardemente, se enfia num pote de purpurina, cisma que existe, sim, o brilho eterno de uma vida sem lembranças, e desiste; ou você olha praquilo em que se enfiou, pensa, repensa, hexapensa, e decide: por que não?
Afinal, eu não tinha crescido? Eu não tinha virado gente grande? Tá na hora de agir como tal.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Monólogo de Dois - Parte XXXV
Sempre tive esse problema: quando eu criança e me deparava com uma super cachoeira, linda e maravilhosa, e uma pedra um pouco – lê-se muito, na minha concepção neurótica -, que eu deveria pular, pra chegar naquela água linda e transparente, levava tanto tempo pensando se deveria ou não me jogar, que era bem capaz que a cachoeira secasse e eu desse com a cara na terra. Pensar antes de comprar um vestido? Três horas, filosofando no provador. Pensar em ir ou não a uma noitada? Põe umas seis horas aí, sendo três pra escolher a roupa e mais três pra ver se vale a pena. Escolha de carreira? Penso até hoje. Escolha de estilo de vida? Nunca vou parar de pensar. E matuta. E reflete. E teoriza. Mas e a prática? Onde fica?
Tenho pensado muito – dã – nos problemas de pensar muito. Impressionante: eu sou tão viciada nisso, que, até quando não tem no que pensar, eu consigo me ocupar pensando no pensar demais. Enfim, Priscila, foco no raciocínio: quando a gente passa muito tempo planejando as coisas, refletindo sobre o que fazer ou não, acabamos caindo num raciocínio óbvio, e nada difícil de ser pensado. Não tem outra: se damos tempo à cabeça, tiramos minutos das pernas. Ou pensa ou executa. E, se pensa demais, pouco se executa, o que gera ainda mais pensamentos sobre a não-execução e... Ah! Que inferno!
Nos meus relacionamentos, então... Go, Sartre! Penso sobre o que tem acontecido entre mim e aquele cara legal... Penso se essa parte boa vai valer a pena... Penso nos riscos... E, enquanto isso, tudo o que eu pensei acontece, com ou seu a minha idéia prévia. E eu, cega pelas minhas idéias, que, teoricamente, deveriam me guiar, acabo totalmente perdida e perdendo vários momentos legais, já pensando no próximo, que pode ser não tão legal assim, e em como eu devo agir.
Ainda nos namoros da vida, penso se aquele namorado se encaixa nas minhas expectativas e nos que eu queria, pra um namoro. Avalio cada postura, cada atitude, cada atraso, cada escolha, cada piada, cada bar, cada encontro, e, assim, o cara que eu sempre quis pode estar exatamente na minha frente, que eu, super ocupada, não tenho a capacidade de enxerga-lo como novo. Sim, fora do padrão que eu estipulei: muita teoria, pouca prática.
Acho que cada um leva uma cruz nessa vida: uns não são muito dotados de inteligência, mas são belos. Outros, geniais, não são tão atraentes quanto se esperava. Uns são práticos, rápidos e fast-food. Outros “passionalizam” até um jogo de xadrez. Vai ver que esse é o meu carma, pensar demais vai me acompanhar até eu parar, de vez. O problema é que, quem pensa muit, geralmente, sempre quer mais do que já tem. Sempre quer aquilo que pensa em querer. Aquilo que acha e quer... e lá vem mais teoria.
Eu queria, mesmo, era ser uma lacraia. Gente, vida, fácil, rápido, indolor. Especialmente porque o pretinho básico é sempre uma boa opção. E um vermelho fatal pode ser, realmente, fatal.
Teorias sobre lacraias é o fim, querida. Vai fazer um Mestrado.
sábado, 20 de março de 2010
Monólogo de Dois - Parte XXXIV
Sabe quando você tão feliz, mas tão feliz, que até se esquece, às vezes, de que é mesmo a sua vida? Ou seja, sendo a sua vida, que coisas ruins também acontecem? Esse lapso é muito raro, diga-se de passagem: conseguir uma fase em que as coisas, apesar de também darem errado, parecem que se compensam; a parte não muito legal acaba ficando suavizada, quase apagada, em alguns casos, pela parte boa. Pela parte que, até então, parecia excelente. Boa demais pra ser verdade. Aí está o problema, minha cara. Será que tudo aquilo era verdade mesmo?
Nessa felicidade toda, que a consome a ponto de você nem se lembrar das infelicidades, tem uma rapaz. Um homem. Uma pessoa que traz não a própria felicidade, mas que te mostra, por ser quem é, o caminho pra tentar alcançá-la. Mesmo que possa parecer responsabilidade demais pra um ser humano só, esse homem parece ter a capacidade suprahumana de fazer o impossível, de acordo com todos os seus pessimismos e racionalismos. Impressiona. Empolga. Deixa leve como uma pluma, que voa, voa, sem rumo nem direito. Pena que, inevitavelmente, ela se choca em algum obstáculo.
Sendo um entrave normal na vida de todos, até que dá pra entender e combater, querendo voltar a voar de novo. Mas e quando esse baque que te bate já aconteceu, uma vez? E se toda essa sua felicidade só veio depois de muito ter batalhado contra esse problema que, do nada, vem e te arrebate na face?
A gente chega a pensar se essa felicidade era real. Chega a pensar que, se é real, se vale a pena. Apesar de todos sabermos que, quanto maior é o amor, maior é o sofrimento, eu me pergunto: de que sofrimento se fala? Das dores normais que envolvem um sentimento tão grande? Ou de outras, que parecem não ter espaço, nem sentido, vindas de alguém que te jura amor eterno? Nenhuma dor faz sentido, para aqueles que a sentem. Nenhum machucado é compreensível, pra quem foi ferido. Mesmo assim, algumas vezes, por maturidade, amor e tudo mais, a gente consegue relativizar as coisas, pensando que fazem parte do convívio a dois. Até passam e viram fontes de força e superação. É. Em alguns casos, é assim. Em outros...
Em outros, a gente para e olha à nossa volta: faz uma recapitulação geral do que aconteceu, do que já tem acontecido e pensa. Pensa se, dessa vez, essa dor toda vai ter alguma função, além de apenas machucar. E muito.
As perguntas não param, nem a sua cabeça, em chamas e cinzas: que fiz eu para merecer isso? Fiz mal a alguém? Fui escrota, egoísta, maluca? Não. Não. Maluca, às vezes, mas quem não é? Por que logo comigo? Por que logo com a gente? Nossa, tava tudo tão legal, tão bacana, tão... Quase perfeito! Vai ver que tá aí a resposta pra várias questões. Será que, quando alguma coisa parece estar quase sem defeito nenhum, é hora de olhar com mais cuidado e ver o que tá acontecendo? Eu me recuso a acreditar que ter um relacionamento estável, saudável e bom, de verdade, não possa ser possível. Não consigo aceitar que as merdas vão acontecer, cedo ou tarde, e que você não vai, nunca, nunca, ficar bem, mesmo, por um tempo considerável. É muito realista pra fazer valer a pena a gente tentar.
E, mesmo com isso tudo tendo acontecido e com todas essas reflexões, eu me sinto o elemento mais irracional do universo: vou e caio em tentação. Vou e faço a mesma coisa que eu sempre reprimi nos outros. Vou e acabo não me valorizo como deveria. Não que eu tenha um valor inestimável e imensurável, mas, se eu não me preservar, quem vai? Esse cara que não, pelo visto.
Depois de todo o carinho, todo amor, quem foi que deu o direito, a quem quer que seja, de me machucar? Quem permitiu que fizessem mal a mim? Eu não permiti, pelo menos não em consciência. Sempre soube que relacionamentos envolvem partes difíceis, mas nunca admiti que alguém, mesmo nessas fases, me machucasse. Não posso deixar que alguém traga mal a mim, ainda mais quando tudo que foi trazer só bem a ele.
Depois de tudo, infelizmente, essa maldita cabeça questiona de tudo valeu a pena. Pergunta, de mim pra mim mesma, se ter feito das tripas coração, sempre buscando o melhor, foi a melhor coisa, pros dois. Questiona, de novo, se foi compensável, ainda mais depois que fizeram seu coração de tripas.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Monólogo de Dois - Parte XXXIII
É conveniente convir: tudo bem, o corpo humano é atraente e, hoje, por causa dos mais variados motivos, o sexo, o carnal, o visual, o tato, são caminhos muito comuns e que, bem ou mal, também têm os seus benefícios e utilidades. Afinal, falamos de um quase instinto de nós, seres humanos, que, apesar de não querermos, somos animais. O problema, na minha chocada visão de mundo, é quando essa vertente animal ultrapassa a humana – lê-se racional e sentimental.
Sem entrar no mérito de que cada um faz o que quer com a sua vida (que é uma boa verdade), eu fico um pouco assustada com a maneira usada, nessa filosofia toda, para encarar os outros. Já ouvi de várias amigas minhas, e até de namorados, um pouco temerosos em me confessar seus feitos “heróicos” no passado (é, parece que eles me conhecem bem mesmo), que, na “vibe da piranhagem” (uma variação lingüística criada), o importante é a diversão e o prazer. Superficiais. Passageiros. Mas diversão e prazer. Desde que ambas as partes (ou mais de duas, nunca se sabe) estejam de acordo com essa visão hedonista e empobrecida do ser humano, beleza, cai de boca (literalmente, em alguns... Eer... Todos os casos).
O preocupante, na minha opinião, é que as pessoas, ao redor, são encaradas, quase sempre, como... Coisas. Sim. As avaliações não são feitas pela inteligência ou por uma conversa bacana, mas pelo tamanho da bunda e da capacidade de sedução visual. O que atrai, nesses casos, não é o sentimento ou a racionalidade, mas o instinto excessivo e, por que não, a animalidade.
Oi? Tem alguém aí? Alguém, quero dizer, uma pessoa, e não um bicho? Cara, eu não consigo entender como essa mentalidade funciona. Não que isso seja uma questão na minha vida, mas como alguns conseguem olhar pro outro e não pensar nos sentimentos que aquela pessoa tem, nas idéias que ela cultiva, nas filosofias que ela alimenta? Como têm a capacidade de abstração, a ponto de não... Pensar? Sim, porque, nessas situações, a idéia é o que menos prevalece.
Tudo bem que eu possa estar soando igual à freira do meu colégio, quando resolveu dar uma aula de educação sexual pra gente. Beleza, eu sei. Confessando pra mim mesma, até já tentei experimentar qual é a da vibe. Ver qual é a graça nisso tudo. E, honestamente, não achei muita graça. Mesmo com a vaidade inflada e uma leve, muito leve, narcisismo camuflado, “I didn’t see the point”. Eu fico, então, matutando (ih, mas essas referências senis tão começando a me deixar tensa): será que essas pessoas, autodeclaradas piranhas, valorizam o que têm?
Creio que, a partir do momento em que você olha pra alguém e não pensa na relação (de amizade, profissional, seja o que for) que tem com ela, muito menos no que ela significa para você, ou no que o seu ato de impulsividade pisciana vai causar, focando, somente, no sexual, no carnal, no carnaval fora de época, chega-se a uma suspeita: esse elemento, que pensa e age dessa maneira, provavelmente, também de encara assim. Vê, a si mesmo, como alguém de carne, osso e só. Se você não valoriza a humanidade dentro de cada um, na minha concepção, seja por dois segundos ou dois anos, tá, também, desperdiçado o que você tem de bom, além de um rebolado sensual ou uma língua habilidosa.
Minhas amigas já me chamaram de antiquada, revoltada, hitlerista sexual, daí pra baixo. Mesmo assim, um dia, quem sabe, eu venha entender o porquê de essas pessoas ficarem tanto tempo nesse quase (prepare-se: termo forte e cruel) retrocesso à evolução humana. Um dia, quem sabe, eu entenda.
Quem sabe.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XXXII
É uma situação tão inesperada quanto o rolo de um filme se partir no meio, ou receber uma pipoca na cabeça, vinda de um favelado atrás de você (só pra constar, Priscila, se nos cinemas aos quais você tem ido isso acontece, meu bem, vamos trocar de shopping). Mais do que de repente, você faz uso daquele ótimo e muito útil zoom pessoal (quando consegue sair do seu próprio corpo e observar-se friamente) e repara que, pra você ser a própria história de “Um Amor pra Recordar”, só falta morar num buraco em Ohio, ainda acreditar na utilidade de tatuagem de hena e ser muito cafona nas roupas. Porque, de resto, você tá se enquadrando em todos os pré-requisitos do teste. Fazer aquela voz fofa-retardada-infantil vira outra simpática-uma-coisinha-só-de-vocês-dois. Em plena sexta-feira, o programa-de-velha-encalhada-ou-da-sua-mãe, quando vão só ao um restaurante, comer uma coisinha (outro fator de EXTREMA irritação, diminutivos; mas esses continuam irritantes) passa a ser o momento-de-privacidade-mais-legal-do-que-qualquer-noitada. Você se empolga e, às vezes, nem nota que, querida: você é a própria Sabrina, a Holy em pessoa, e, em alguns casos mais críticos (curáveis, no entanto), a Maria do Bairro brasileira.
Vê, então, que os antigos motivos de piada são, agora, motivos de taquicardia emocional. Vê que o humor mais seco se embebe todo de uma melado rosa pink; uma magenta, pras mais refinadas, também serve. Vê que você... É quase outra pessoa, se for comparar os seus gostos de hoje com os de ontem. Melhor: as suas prioridades de apaixonada (loucamente, mas achada, não perdida) e as de não-apaixonada (perdida, mas não loucamente). Hum, que coisa estranha. Outra pessoa? Se minha terapeuta (sim, Priscila, hoje, com a crise econômica mundial, é super normal usar a sua melhor amiga como psicanalista) me ouvisse chamar a mim de outra pessoa, iria me matar. Que é isso, afinal?
Simples, mas complexo: é você, ainda, só que com outro alguém que, nessa cena da vida real, completa a parte que faltava. Sem aquela baboseira de alma gêmea (como se ainda fosse útil salvar-se da cafonice melada nesses pensamentos todos), é um outro que combina com você e mostra que o fofo-irritante, até então, pode ser muito bem-vindo.
Mostra que ficar o sábado inteiro de sol, em casa, fazendo comida, vendo televisão, falando besteira, dentro de um pijama antissocial, vendo coisas inúteis na internet, rindo e sorrindo sem dar dor no maxilar pode, sim, ser não só possível, mas muito bom também.
Mesmo com isso tudo, a gente ainda mantém o mínimo de originalidade, claro, o básico pra poder dizer ao Orkut quem você é (pergunta mais existencial na atualidade, convenhamos). Guardadas as devidas exceções entre o cinema e a vida que ele retrata (fielmente ou não), você pode dizer, sim, que ta exatamente no meio do caminho nessa importação e exportação entre a sétima arte e primeira de todas: viver.
E essas novidades todas devem vir do que a gente tanto procurava, munidas do nosso humor negro e das nossas super noitadas. Vai ver que a gente acabou de achar não precisamente aquilo que tanto queria encontrar; mas uma outra coisa que a gente nunca pensou em achar, mas que nos surpreendeu. Sendo brega ou não, a melhor postura, nesses casos, só pode ser uma: aproveitar que você foi aprovada no teste do seu próprio filme, agarrar a chance, fazendo as nossas cenas, os nossos remakes, as nossas edições. Acreditando que, apesar de não parecer, é possível ter o nosso próprio filme melecado e romântico. O que vai acontecer ao longo dele, só o diretor sabe (que, nesse caso, não existe). De qualquer maneira, eu é que não vou desperdiçar o meu ingresso.
Afinal, por que eu não posso ser uma Iris de mim mesma?
domingo, 6 de dezembro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XXI
Uma dessas posturas (praticada por mim em quase todos os meus namoros, ficadas, rolos, enrolos e indefinições sociais) é a maldita teimosia. Eu, na minha subconsciente pretensão e soberba, meto-me uma coisa na cabeça e só tiro de lá em dois casos: ou quando eu conseguir fazer o que quero, ou quando o insucesso chega a um ponto em começa a me fazer mais mal do que bem. E, em relacionamentos, essa cisma toda aparece em várias situações, mas em um, em especial: no querer (ferrenhamente, em alguns casos) mudar o outro, mesmo sabendo que isso é terminantemente impossível. Mesmo depois de todas as regras e tipos esclarecidos, ou seja, o que é aceitável e o que o outro tem como hábito imutável. Mesmo estando a par de tudo o que pode acontecer, você, burramente, fecha os olhos pra realidade e acredita na sua (in)capacidade de fazer tudo virar flores e borboletas.
A coisa vai mais ou menos assim: a gente conhece alguém que, mais do que naturalmente, tem as suas diferenças, defeitos e qualidades. O talento de um bom namorado ou boa namorada seria justamente conseguir lidar com as oposições e distinções que encontra no parceiro, certo? Pena que o mundo não perfeito. Pra ninguém. Diante daqueles contrapontos, eu faço de tudo, se gostar mesmo da pessoa, pra tentar me adaptar ao jeito dela de ser. Me condiciono a abrir mão de várias preferências minhas, experimentar novos programas (sociais ou na cama), ver gente nova, fazer coisas novas. A gente ta junto é pra isso mesmo! Pra evoluir, como pessoa, e melhorar, como parceiro.
O engraçado é que, em alguns casos, a gente vai se ajustando ao jeito do outro pra, ironicamente, depois de tomada, querer fazer com que ele (ou ela) se molde ao nosso! Estranho? Louco? Sim. Muito. Minha cabeça, de tão exercitada e utilizada, acaba se esticando tanto que vira uma corda pra eu me enforcar, sendo cada idéia um pedacinho que a ocupa. Nessa loucura toda, a gente vai se desmontando, contando com que o outro, diante do nosso esforço em se adaptar, também vá se desmontar tanto quanto a gente. Ótima opção, hein?
O problema acontece justamente quando a gente perde a noção do que é aceitável e daquilo que já vira um pecado inconcebível. Contra nós mesmos. Nessa cisma toda por tentar se adaptar ao estilo de ser do outro, muitas vezes, mesmo sem perceber, a gente vai perdendo a ciência do que nós éramos, antes de tudo começar a começar. Mesmo que ninguém saia de um namoro igual a como entrou, é indispensável que a sua personalidade e as suas crenças se mantenham minimamente coerentes, oras! Afinal, quem é você? Se essa pergunta soar como um vazio, na sua cabeça, no meio de um namoro, corre pra sua igreja e vai rezar uma novena: a coisa tá feia.
Tudo se desmorona quando começamos a contar quantas concessões cada um fez. Nessa história toda de se modelar ao jeito do outro, NUNCA vai se saber quem abriu mão de mais coisas. Só e apenas aquele que passou pelas mudanças (buscando melhorar um namoro) sabe o quão difícil foi pra ele fazer aquilo.
Temos um impasse. Um obstáculo. Mais um, depois que tantos que um namoro, naturalmente, tem que enfrentar. Eis que, sem mais saber direito quem você é (e isso não sendo uma remodelagem de personalidade, mas uma perda dela), sem saber o que quer, direito, só resta uma opção: colocar na balança, clichê, mas verdadeira, pesando o lado bom e o ruim. Mesmo que haja muitos momentos legais, se esses estiverem sendo esmagados e trucidados pelos ruins (que, inevitavelmente, parecem sempre ser mais pesados), é hora de parar e pensar na sua religião.
Pensar na fé que temos em nós mesmos, não como religiosos que freqüentam cultos, mas na fidelidade com a nossa felicidade, com o nosso bem-estar, a curto e a longo prazos. Conformar-se que as coisas fogem ao seu controle, que você não vai mudar o mundo, muito menos o seu namorado. Entender que namoros dão mais errado do que certo. E que, diante disso, você só precisa evitar o máximo dos pecados: a teimosia, que leva a uma possível autodestruição.
Entre os tantos pecados que a gente comete (contra nós mesmos), só existe uma punição, que não inclui setecentas ave-marias: é quando se sente, na pele, o reflexo dele, do pecado, que cismamos em cometer, mesmo com todos os conselhos e experiências. Nesse caso, nem Deus, nem ninguém vai te ajudar terminantemente: só você, o Céu e o Inferno da sua própria existência.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XXX
É bem verdade que cada um, impreterivelmente, tem a sua essência. O seu interior maciço. Uma parte, bem interna, que não pode ser modificada ou mudada. Acredito que o máximo que ele faça é usar novas formas de se mostrar, desde uma briga no parquinho, uma puxada de cabelo no maternal, um assalto à massinha do coleguinha. Desde um “não” que recebe de alguém, um “sim” que ganha como maior vitória do mundo, um “talvez” que permite a si mesmo. Em cada período disso tudo, novas experiências nos evolvem, nas quais agimos de formas distintas, dependendo das circunstâncias que vierem anexas a elas. Mas a essência, como já fala por si mesma, é essencial, tanto pela sua indispensabilidade quando pela sua originalidade e autenticidade.
Mesmo que isso tudo seja um fato, também a outros possíveis fatos que ameaçam, de certa forma, a tal da essência. Não a ponto de poderem anulá-la, mas atrapalham os que a têm a descobri-la. Ao decorrer dos anos, nessas novas situações, ficamos na dúvida em qual caminho tomar. Pode ser uma carreira pela frente ou uma boate versus um cinema. Desde as escolhas mais bobas até as mais relevantes, por vezes, a nossa essência se esconde de nós, ou nós a escondemos de propósito. Experimentamos, então, novas coisas, no mais amplo sentido dessas cinco letras juntas, nessa ordem. De tudo pra tudo. Quando aquela nova foge ao que achávamos que seríamos, vem a total instabilidade. É como se, sem um de verdade à sua frente, olhássemos para um espelho dentro de nós mesmos e, nele, não víssemos mais aquela imagem a que estávamos acostumados.
Mais uma vez, nesse caso, há escolhas a serem feitas, embora, nem sempre, os resultados tenham sido os previstos, ao optar por esse ou aquele caminho. A vida é suja, baixa, cruel e nua. Ela, quando de bom-humor, até permite que as suas previsões de concretizem. Mas, infelizmente, ela é mais uma eterna mulher com TPM intensa: emotiva, escandalosa, extremista, determinista, indefinida, indefinitiva. A gente a dança conforme a música. A dirigir conforme a estrada. Depois de errar os passos e de sair no acostamento errado, buscando um atalho, mudamos um pouco do tom da música e passamos pra pista do lado.
Adaptando o externo ao nosso interno.
Deixando que o de fora nos complete por dentro.
É isso o ser influenciável? Sim.
É problemático um ser influenciável? Não.
Somos apenas pequenas peças num enorme jogo de tabuleiro, no mesmo espaço, mas com regras totalmente pessoais e diferentes. Temos que nos encaixar, na maioria dos casos, mesmo que a nossa tal essência seja forte como só.
Ela tem a sua potência.
Mas o mundo fora dela também é tenso. E forte. E potente.
Vai ver que é uma eterna batalha. Daquelas sem um fim, de fato, ou sem fatos. A cada esquina, a cada nova música que a vida tocar aos seus ouvidos, a cada nova estrada que surgir no seu caminho, resta parar, olhar e decidir: o que fazer aqui? Escolher pelo já feito, pelo já testado e comprovadamente garantido? Ou ir pelo não muito bem conhecido, não garantido, mas também não totalmente condenável? Dar um gabarito fechado e indiscutível a essa pergunta é como aquela que questiona quem você é. Não há como delimitar uma resposta, e, se houver, espero que não dure muito tempo. Não vale a pena da vida e nem é justo se deixar prender às correntes que ela pode oferecer.
A minha essência, nesse caso, não me deixa entregar ao seu próprio empobrecimento.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XXIX
Todo mundo, sem exceções, está à procura do amor. Disso, ninguém escapa. Pode ser por amor entre pessoas. Pelo amor entre um alguém e a carreira. Até mesmo o amor entre um elemento e a sua tão prezada vida de desamores, só paixões. A verdade, estampada por todos os quatro cantos, é que qualquer ser humano, que tenho o mínimo de consciência da sua genialidade intelectualmente sentimental, quer saber do que se trata essa coisa toda. Muitos querem. Tantos quanto, às vezes, mesmo querendo, esbarram com uma escuridão que impossibilita, na hora, qualquer forma de achar o tão desejado amor.
Por medo? Por experiência passadas? Por egoísmo? Por ódio a si mesmo? Motivos não faltam na minha vasta cabeça de pensadora (mesmo que aplicada a tópicos retardados e inúteis) que poderiam justificar o porquê de aquele bendito indivíduo, ou aquela outra, não se deixarem levar pela paixão. Paixão, sim, como estágio inicial a um possível outro próximo: o tal do amor. Preguiça? Pode ser mais uma razão.
Nem tô falando só de joguinhos de relacionamentos, não, mesmo que eles se enquadrem perfeitamente em um dos exemplos mais freqüentes. Nesse caso, sim, por medo de se entregar, muitas pessoas criam e vestem um escudo dificilmente destrutível. Com ele, conseguem criar os mais embaraçados diálogos, inverter situações, calcular milimetricamente o que o outro vai fazer. Eo que o próprio vai fazer, também. Transformam o que duas pessoas têm (ou teriam) em um grande tabuleiro, na maioria das vezes, com as regras ditadas por um autoritário apenas que, mesmo que não seja verdade, acha sempre que tá ganhando de lavada. Pura distração pra não aproveitar o melhor prêmio de todo vencedor de um outro jogo: o da vida mesmo.
Esses hábeis jogadores se focam tanto naquelas regras pequenas e bobas, que acabam se esquecendo de outras ainda maiores e mais potentes. Regras, ao mesmo tempo, mundialmente conhecidas e pessoalmente modificadas: as suas regras; as regras do seu jeito de amar, que, convenhamos, são muito mais deliciosas e atrativamente perigosas do que umas efêmeras e reduzidas a pecinhas.
Qual é o grande problema que há em se sentir um babaca apaixonada? Eu, metendo o pau naquela menina do vampiro, coitadinha, mal sei como ela tá bem mais feliz do que, provavelmente! Qual é o problema, também, em se deixar levar pelos enlaces do coração? Mesmo que eles venham a se romper e deixar você cair, essa queda, por mais dura que seja, vai ser muito mais útil do que ficar se segurando, antes mesmo de tentar, não?
Em qualquer situação, não só nos relacionamentos já engatinhados, os que não conseguem se deixar amar são os mais dignos de pena. Aquele que amou, sofreu, chorou e voltou a amar merece, sim, o prêmio de melhor jogador, sem sombra de dúvida. Ele, ao menos, teve a coragem e autossuficiência de se pôr lá e ver no que daria. Já os primeiros, coitados, vão continuar batalhando.
E guerreando.
Mas, afinal de contas, essa luta toda, seja em que jogo for, vai ser dele contra ele mesmo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XXVII
É fato que muita gente responde que, sim, é impossível. Até porque, existe inclusive um dia que comemora e parabeniza aqueles que estão acompanhados: o temido e odiado (pelas solteiras) e amado e ansiosamente aguardado (pelas comprometidas) Dia dos Namorados. O mundo inteiro conspira a favor de sempre achar alguém pra você. E, se não aparece uma viva alma que sossegue o faixo por mais de dois jantares e um cinema ao seu lado, a própria se sente largada, mal-amada, acaba e... Sozinha. Qual é o grande problema nisso?
Pra falar a verdade, faz todo sentido ter alguém lá, que esteja por você e com você, nas horas boas e, principalmente, nas ruins, em que você desenvolve a capacidade de ser aquela que mais espanta qualquer companhia. A gente precisa, sim, de alguém pra chorar as mágoas, rir os risos, comer pipoca, fazer nada junto, falar besteira, dar e receber bronca. Enfim, alguém que também tenha uma vida – tão complexa ou mais que a sua – e que também necessite de uma companhia pra dividir as nossas cruzes do dia-a-dia.
Mas aí dizer que não tem como ser feliz sem alguém já é poesia-bossa-nova demais, pro meu gosto. Mesmo sendo muito útil ter alguém ali, não é crucial que essa pessoa sempre esteja lá, sentada, te esperando, ou com o telefone às mãos, pronta pra sua próxima crise, solucionável com alguns calmantes orais – não comprimidos, mas palavras -. Aliás, é tão importante quanto isso tudo ter um momento só pra você. Um não. Vários. Quiçá dias e semanas de solidão. Sem se sentir solitária. Mas, apenas, sozinha, por uns tempos.
Você consegue, então, muitas vezes, recolocar em prática tudo aquilo que a companhia te ajudou a fazer, quando ainda era impossível fazê-lo sozinha, de fato. Aprende que, no final das contas, é só você contra você mesmo; e que essa é a pior batalha a ser vencida, justamente porque você conhece, melhor do que ninguém, os competidores envolvidos: tu e você.
A felicidade é tão variável quanto os tipos de pessoas que existem no mundo. E se eu, um dia, conseguir ser feliz sozinha? E se aquela moça, que se separou de um ótimo casamento (pras outras), resolveu ser melhor ficar casada só consigo própria? O nosso foco de felicidade muda de tempos em tempos. E, assim, mudam também as nossas prioridades e dispensabilidades.
[...]
E agora, querida? Corre pra vida, que, já, já, dia 12 de Junho tá chegando! Me recuso a receber cartões da minha mãe e afilhada de novo, esse ano.