terça-feira, 11 de março de 2008

Sem Querer

Não quero muito.
Não exijo demais.

Na minha inconfortavelmente deliciosa condição de apaixonado, apenas me contento com o pouco, que me dás, que se transforma em o suficiente, pra mim. Por mais torturante que seja, me contenho com o que sinto. Com o que imagino. Com o que vejo.

Sinto meus olhos nos seus. Vejo meus pensamentos em você. Imagino minha boca na sua e minhas mãos, entrelaçadas às nossas. Platonismo ou não. Paixonite ou não. Sinto-me bem, quando você assim o está. Sinto-me inquieto com a sua inquietude. Radiante com o seu entusiasmo. Condicionado ao seu sorriso, afogado por suas lágrimas. Bobo, fascinado e embasbacado? Não, apenas.

Sou, também e principalmente, louco por você.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Pura Biologia?

Um caldeirão de sensações e sentimentos. Essa é, a meu ver, uma das mais fiéis definições do que é o Homem. Complexo, denso, mesclado e tudo mais que vem dentro desse turbilhão de emoções e sentires. Decodificar o que se sente pode não ser a parte mais difícil, para alguns. Está-se percebendo algo estranho, que pulsa nosso coração com cada vez mais força, e chacoalha nossos pensamentos com cada vez mais intensidade. Pára, analisa, e descobre, em tese, aquilo que se está sentindo.
Sentir, sentir, sentir. Não importa quantas vezes se escreva, quantas vezes se fale, ou quantas vezes o tenhamos; vai ser sempre um elemento presente dentro de nós, reconhecível ou não. O pior é quando se reconhece uma emoção, e essa, por sua vez, é definitivamente patética. Sem querer ofender aquilo de mais preciso que temos, mas, algumas vezes, vemo-nos bobos, infantis, estúpidos, por estarmos em determinada situação, mesmo quando se tem a capacidade de racionalizar os fatos, e comprovar o quão sem-sentido é o nosso estado.
E agora, cowboy? Depois de muitas tentativas, acho que não há o que se fazer. Simples assim, sim: por mais que se pense, por mais que se esforce, um sentimento só é superado por outro, semelhante ou oposto. A razão, em casos de coração, nada mais é do que o resultado inútil, de um impotente bolo de neurônios.

sábado, 1 de março de 2008

Sensatez Moderna

Uma manhã úmida, um corpo quente, travesseiros brancos.
Acordou quase enforcada pelo próprio lençol, com um braço dormente. Num impulso, ergueu seu corpo e sentou-se, fazendo as molas pularem.
Disse: “É hoje. Hoje!”
Pensou em todos os benefícios que seu ânimo matinal traria.
Reconheceu, além desses outros, os prós, contras, e o necessário para fazê-lo.
Recolheu forças pra pôr os pés sobre o frio chão adormecido.
E, depois de tanta relutância, voltou a se deitar.
Afinal, trocar a realidade por sonhos e pesadelos, às vezes, é o melhor a se fazer.

Ludicamente racional.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Seja o que for

Pensando em balões, lembro-me dos rodeios inesperados que a vida nos dá. Reflito sobre amizades, e o que as faz ativas e pulsantes: conhecemos novas pessoas, com novos pensamentos e objetivos a alcançar. Tornamo-nos íntimos, próximos, semelhantes e, então, a amizade surge. Mas, afinal, o que há de se fazer para manter essa relação com o mesmo ardor de antes? Existe, de fato, alguma atitude a tomar, para evitar que as amizades se esvaiam, com o tempo?
Vejo as relações entre indivíduos da seguinte maneira: somos todos balões, com cores, tamanhos e texturas diferentes, e com laços que nos prendem e nos trazem a realidade. Ao conhecer novos, estamos comprimidos em um ambiente, um circunstância, um episódio que nos trouxe juntos. E, ao girar do globo, é como se um grande recipiente, repleto de balões distintos entre si, fosse aberto, e todos os conteúdos de outrora se espalhassem pelos ares. Aquilo que, certa vez, manteve-nos juntos, transforma-se, e nos é dada outra configuração a seguir.
Restam, portanto, apenas as verdadeiras amizades. Aquelas que foram sentimentalmente cultivadas e que, mesmo com as novas experiências pelos céus, se conservam e prolongam-se. Os verdadeiros amigos são como balões, presos a nós por seus laços e que, mesmo nos esbarrando uns ao outros, por vezes, sabemos que a conexão é mais forte do que um conflito qualquer. Com os verdadeiros companheiros de estradas, dividimos a confiança e o conforto. Dividimos o mesmo elo que, esticado por metros ou milímetros, resiste da mesma forma.
Sempre.


À minha amada revisora de textos.