sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um pouquinho de Brasil

Entre tantos lugares nesse mundo
A que se pode ir
Poucos são tão únicos como este.

Entre tantas as pessoas nesse mundo
Que se pode conhecer
Poucas são tão humanas como este.

Um canto onde o soar da cuíca
mescla-se às sensações das almas
Que lá se encontram.

Quando o bater do tambor
Acompanha o ritmo
Dos corações apaixonados.

Quando o balançar do pandeiro
Confunde-se com o sacodir das cinturas.

Quando as cordas do violão
Fluem tanto quanto o remexer de cada corpo
Numa sintonia musicada.

Dão sorte aqueles que, em algum momento de suas vidas,
Tiveram a oportunidade de lá estar.
Mais sortudos ainda são aqueles que encontram um outro
Par de pernas cansadas, mas felizes, para fazer companhia ao seu.

Encontram, também, um porto, onde deságuam seus sentimentos.
Um alguém especial, para dividir o amor que sem tem a dar.
Um boca sedenta, que acompanha o tocar nos lábios alheios
como se um só fossem.

Este lugar não está no céu, mas é meu paraíso.
Não está no inferno, mas é minha perdição.
Falo, meu amigo, de uma roda de samba.

domingo, 4 de maio de 2008

Desligar-se do inevitável

Ela está em todos os lados. Presente em todos os meios de comunicação, desde jornais até ‘palm-tops’. Todos se comovem, revoltam-se, chocam-se. O que isso seria? Uma notícia. Uma notícia que, de cruel e triste, tornou-se o espetáculo protagonista do Circo de Horrores, chamado Brasil.
É fato que todos, independentemente de qualquer distinção que possa haver entre as pessoas, já sabem do que se trata e estão, provavelmente, exauridos de tanto ouvir, ler e assistir sobre o caso. Para deixa-lo mais claro e objetivo possível, fala-se da menina Isabella. Sim, a Nardoni.
Desumano? Foi. Monstruoso? Também. Incompreensível? Inclusive. É um acontecimento que merece, realmente, atenção e que deve levar à reflexão sobre o rumo que a sociedade toma. Porém, mesmo sendo tudo que foi dito, não é permissível que transformemos o mesmo em um espetáculo, a que todos assistem muito revoltados (oh!), mas acomodados em seus sofás.
Hipocrisia? Provável. Comodismo? Com certeza. Passividade consentida? Também. São essas algumas das principais características fundamentais, notadas pela perícia social, feita nos brasileiros. Em vez de buscar incontáveis hipóteses, por que não se preocupar com os reais problemas, por trás dessa espetacularização? Por que não tentar enxergar não só as conseqüências do problema e combater as suas causas? Ora, cansaria demais. É mais simples, e aparentemente eficaz, mostrar-se boquiaberto e cho-ca-do. Não é?
Não há grandes problemas na paixão do brasileiro, em geral, pelas novelas. É preocupante, sim, a conversão de casos da vida realíssima em meros folhetins das nove. E é exatamente isso que está sendo feito. Como se previsível e esperado, todos aguardam pelas cenas do próximo capítulo, com uma pequena diferença: nessa novela, o final jamais será feliz.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Metalingüisticamente

Confesso que já não escrevo há tempos... De fato, uma série de circunstâncias consideráveis pode vir a atrapalhar a produção literária de uma pobre ser humano (afinal, ainda não inventaram máquinas criativas suficientes para fazê-lo). Dentre elas, há as mais óbvias e conhecidas por todos, mesmo que não pratiquem tal atividade: falta de assunto ou de inspiração. Ora, reflitamos e convenhamos, assunto é uma fonte inesgotável, pra quem dele sabe fazer bom uso; e não há assunto ruim, e sim o mal analisado e abordado. Inspiração? Ok, realmente, não é encontrada em toda esquina, mas também não sofre de extinção, ainda.
O maior impedimento a um texto, bom ou apenas útil, é a passividade do autor diante dos obstáculos. Escrever verdadeiras obras literárias, quando se está a flor da pele? Fácil. Quero ver tirar coelhos do coração quando a vida nos tira até o tempo para submeter-nos aos sentimentos. Seja por uma rotina corrida, ou por um excesso de racionalismos, há fases em que as emoções parecem acanhar-se, devido a razões que até aquele que deveria sentí-las desconhece. Desesperador, para alguns, aliviante, para outros, mas comum a todos.
O que fazer?
Pois bem, se soubesse a resposta precisa, resolveria boa parte dos problemas emocionais que tanto assolam os terapeutas de plantão. Quando não nos sentimos hábeis a constituir um bom texto, por que não escrever sobre essa aparente incapabilidade? O resultado por impressionar.

E me impressionou.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Marrom no Branco

Nada parecia fazer sentido. Aquilo que, um dia, me deixava extasiada de felicidade, hoje, apenas faz lembrar-me de como era bom gargalhar do mais estúpido. Sabe aquela sensação única de calma, serenidade, mesmo quando nem tudo a nosso redor está às mil maravilhas? Não sabia mais onde achar. Vida profissional? Fiz pós-graduação em “empregos desestimulantes”, e mestrado em fracasso. Vida Amorosa? De que merda de amor se fala? Um amor repleto de egoísmos, de defeitos, de obstáculos que se multiplicam a cada superação? É esse o tal do amor tão declamado, cantada e perseguido? Prefiro ficar vazia, então. Preparava, calmamente, seu diário chocolate quente, como alguém que assiste à morte de seu maior inimigo: fria e meticulosamente. Encarava o desmanchar do creme, em meio a tanto leite e chocolate, como a sua própria vida: se esvaindo e fragmentando, por entre um espaço de onde não se pode fugir. Olhar ao redor? Procurar por saídas? Inútil. Lúdico. Tolo, com exceção de uma alternativa: agarrar nos milhões de diferentes grãos de chocolate, e tentar o nunca antes experimentado. Arriscar em favor de pequenas oportunidades de salvação, mesmo que não se tenha a menor perspectiva de sucesso. É isso! Não é? Bom, pelo menos, eu espero que seja. Só me falta, agora, encontrar os grãos de chocolate por fora do bule. Difíceis de ver, sim, mas unicamente doces quando encontrados. E eu quero os meus de volta. Hoje, e sempre.