terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Sinfonias

A raça humana é, de fato, cômica... Eu sei que já devo ter escrito um número de textos sobre ela proporcional à sua quantidade sobre a face da Terra, mas não me canso de discutir seus sintomas de TOC agudo. E, com seus estranhos hábitos, criaram-se verdadeiros abismos invisíveis, que todos sabem que existem, mas insistimos em renegar os pobres fatos. Nessa hipocrisia, há alguns elementos inclassificáveis que, milagrosamente, reúnem os mais diferentes tipos de Homens, morando esses aqui, lá, ou não se sabe onde: uma dessas entidades é a Música. É, essa mesma; aquela que, de onipresente, está em cada esquina, de cada cantinho obscuro do Mundo. Dispensando línguas, idiomas ou tradições, é uma das poucas misturas que consegue reduzir aqueles abismos a pontes, e fazer dos semelhantes mais parecidos, afinal. Ultrapassa a pura audição e invade cinco e todos os outros sentidos de quem com ela tem contato e se entrega às notas e letras. Aproveitemos, então, essa poção mágica que nos foi dada aos montes, mas sem possibilidades de clonagem ou cópia que se preze; nem hoje, nem nunca.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Nada (é) demais...

Passava pela vida como quem espera por um ônibus, vindo de lugar nenhum para um nada, sem placas. Sentou nos fatos, acomodou-se inconfortavelmente no que, aparentemente, não poderia ser mudado e, assim, ficou. Ficou vendo as oportunidades de saltar dessa condução chamada Estabilidade, mas preferiu seguir o que seu título aconselhava. E, assim, foi indo. Mudar? Mas para que, oras: se mudamos hoje, mudam-nos amanhã. Para melhor, ou pior, nunca se sabe. Para que se esforçar, para alcançar algo fadado a transformações, sem garantias de absolutamente nada? Pensava dessa forma desde do dia em que conseguiu formular um raciocínio completo e justificável. Tinha razão, em alguns aspectos; medo e covardia, em outros.
Era mineiro e comia quieto.
Demais.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Jogo da Vida

Um dos jogos mais divertidos, que já inventei, é definir pessoas por figuras de linguagem. Não há passatempo melhor, salvas as devidas exceções. Para jogá-lo, e vencer de si próprio, as regras são bem simples:

1) Sente-se, ou acomode-se como melhor for, em um lugar privilegiado, com vista a todos que passam e vivem à sua frente.

2) Com seus olhos organicamente biônicos, analise, minuciosamente, os gestos, os trejeitos, os olhares, as posições e as opiniões (quando possível) dos que vê.

3) Pronto? Agora, comece a recordar-se da maior quantidade de figuras de linguagem que puder, e atire-as sobre suas vítimas.

Encontram-se os mais variados estilos literários por entre as pessoas: há as hipérboles, que nunca estimam algo ou alguém em menos de 1000 unidades de medida. Há os eufemismos, que, devido ao medo de encarar a realidade, vivem e transgridem em suavizações e disfarces do mundo, e de si próprios. Também temos os hipérbatos, que fazem de suas existências uma verdadeira inversão da ordem direta (são os mais curiosos e divertidos, a meu ver).

E tem aqueles que, por causa da complexidade de ser ou da extrema simplicidade de seus existências, não se enquadram apenas em uma figura; e, sim, em todas.

Há, também, aqueles que merecem uma nova classificação lírica, calcada na inconstância e no caráter “metamorfósico” que nunca os abandonam. Esses são os que valem mais pontos, e, por isso, devem ser tratados com leveza e bom-senso cuidadosos.

Em qual desses você se encaixa? Pois bem: jogar consigo mesmo pode ser o passo mais desumano de todos. Boa sorte em sua jornada pelos seus próprios caminhos e casas a serem avançadas; encontramo-nos nas últimas etapas, ou pelos meios das estradas a serem desvendadas.

Esse é o (meu) Jogo da Vida.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

E Agora, José?

Nasci.
Abri os olhos.
Vim ao Mundo.

Andei de quatro,
andei de 2,
e de vários outros meios.

Percebi o que sou
e o que são.
Troquei uns por outros, e outros por uns.
E cheguei ao primeiro de muitos.

Ir em frente?
Não sei.
Não se sabe.

Por enquanto, apenas a certeza de que tentar é válido.
E é a única opção.