Ih, mas o que eu já ouvi de gente por aí fora dizendo que terapia (ainda) é coisa de maluco e doido, nem quero parar pra contar. Olha só, vocês, pessoas nascidas em 1758, pensem melhor na besteira que falam. Dizer que mulher não serve pra dirigir eu até entendo, aliás, aceito, porque tem uma base factual (tem, sim, infelizmente). Mas ofender a classe do divã só me mostra e confirma uma coisinha: aqueles que pensam assim são os que mais precisam de uns papos profissionais sobre si mesmos.
Pra começar, vamos dar nome aos bois, às vacas e aos cabritos: o terapeuta NÃO vai resolver os seus problemas, muito menos mudar quem você é. Pelo contrário, ele vai te ajudar a entender quem você é, e a como lidar com suas características essenciais, te mostrando os melhores caminhos a tomar e os melhores pensamentos e nutrir. Simples assim, como a teoria freudiana.
É evidente que isso não impede que você, caro paciente, se embole todinha no meio das suas divagações. Em primeiro lugar, é super compreensível que, no começo do tratamento, a gente se sinta desconfortável em falar tudo sobre a sua vida, principalmente as partes mais vergonhosas e desconfortáveis, pra um total estranho. Tudo bem que eu nunca tive esse problema, porque falar sobre as minhas preocupações é tão normal quanto não ter uma vida sexual ativa, de fato. Mas o medo, no começo, é super aceitável.
Agora, também não vai pelos extremos, né? Uma coisa é você ter intimidade profissional com o seu terapeuta. Outra é você ligar pra ele, no meio da madrugada, reclamando de que aquele cara, que você conheceu numa festa aleatória e em quem você, BÊBADA, chegou, não quer saber de você. Queridinha, o terapeuta também é uma pessoa, com problemas tão graves ou mais que os seus. Por isso, acorda pra vida, porque senão você vai acabar obrigando o seu próprio terapeuta a também fazer terapia (o que é super normal).
De qualquer maneira, é sempre bom manter uma distância entre você e o seu terapeuta maravilhoso, cheiroso, inteligente, com um sorriso magnífico e que te entende melhor do que outro homem que jamais conheceu. E ainda te dá balinhas toda semana, sem você nem precisar dormir com ele. Sim. Já me apaixonei pelo meu terapeuta! E foi a pior idéia que eu já pude ter. Por quê? Você quer realmente se lembrar dessa cena patética? Ok. Resolvi que iria, então, tentar impressionar o Doutor-gostosão lá. Por isso, na semana seguinte, fui maquiada igual a uma traveca, quando tem Baila Gay no Scala. Coloquei uma roupa com o decote que ia até o primeiro andar do prédio e fui. Chegando lá, comecei a me reafirmar toda, dizendo que já tinha me resolvido em relação a todos os meus problemas de relacionamentos e que já estava mais do que pronta pra embarcar em algo novo, com segurança, confiança, respeito e muito amor... Quando ia continuar o meu discurso, eis que olho pra mão do cara e ele está, ineditamente, com uma aliança de noivado. Menina, na hora, eu meti vinte e sete balas de caramelo na boca e fui ao banheiro. Tirei aquele Abapuru de Picasso da minha cara, me borrei toda, e comecei a chorar. De novo.
Voltando àquele povinho medíocre que condena a terapia, eu nem me estresso. Mentira, me irritar, é evidente que eu me irrito, mas nada que me faça descer do salto, pegar meu sapato finíssimo e encravar na testa do medieval que pensa assim. São pessoas superficiais que, na verdade, usam de preconceitos mal fundamentados (como todos são) pra compor um autossegurança e independência de mentira. Querida, NINGUÉM na face dessa terra do Aquecimento Global é completamente ok consigo mesmo. Todo mundo tem problemas, medos, vícios e preocupações, certo? Logo, benzinho, corre pro divã e se faz.
É por essas e outras que, hoje, eu me sinto muito melhor do que me sentia, ontem. Tenho mais confiança em mim mesma, mais força pra enfrentar os meus problemas e tempo. Tempo até demais, porque ficar pensando na teoria da terapia, sendo que você é uma jornalista, nem Freud explica. Vai arranjar o que fazer, antes que você se atrase pra sua consulta com aquele homem divino, inteligente, meu mais novo psiquiatra.
Merda.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Monólogo de Dois - Parte XVII
Eu juro por tudo que é mais sagrado (mesmo que não valha a pena tanto juramento) que eu já tentei milhões de vezes. Olha, já conversei com meus amigos, numa mesa de bar; com minhas primas, em festas de família; com a minha terapeuta, quando esbarrei com ela na fila do cinema, e resolvi fazer uma rapidinha; enfim, com Deus e o mundo e, até agora, ainda não cheguei ao consenso: sexo e sentimentos são, afinal de contas, coisas separadas?
Eu confesso que já transei sem amar e já amei sem transar. Já fiz assim, assado, de um jeito, de outro. Não, Priscilete, isso não é uma lista de posições à la Kama Sutra. É uma lista de tentativas à la livros de auto-ajuda mesmo, pra tentar responder a essa questão que, porra, tá mais difícil que do que fazer os judeus e árabes fazerem as pazes. Quem sabe se eles transassem? Hum, não. Só iria piorar a situação, com certeza.
É fato que o sexo, pelo menos na minha concepção, deveria ser um ato mais valorizado do que é, hoje em dia. Eu acho que, pra chegarmos nesse estágio e tudo ser maravilhoso, deveria haver um conhecimento maior entre os futuros-embolados-no-lençol. Enxergo dessa maneira, sim, e, por mais que eu esteja parecendo uma música da “Noviça Rebelde”, acho que é desse jeito que as coisas deveriam ser, cara.
E olha que eu já tive minhas dúvidas, heim? Por exemplo, eu tenho uma amiga, aliás, duas amigas, que nem se conhecem, mas que têm mais ou menos o mesmo comportamento. Amanda e Sheila. Eu sei Sheila é um péssimo nome, eu sei. Mas, pobrezinha, foi a mãe dela que escolheu, né? Enfim, Sheila me impressiona, cara. Ela se envolve com um aqui, outro acolá. Se enrabicha com aquele cara do trabalho, com outro lá do buraco onde ela nasceu. E tá sempre tranqüila, calma e serena, sem medo de ficar sozinha pro resto da vida, sem medo de se envolver nem nada, até porque, segundo ela própria, ela não se envolve. Já conversei com Sheilinha milhões de vezes. Até a entendo. Mas acho estranho. Já Amanda consegue ter essa capacidade de desprendimento também. Tem fases em que ela tá mega piranha, assim, a ponto de que quase assustaria a Sheilinha. Porém, cedo ou tarde, ela acha um cara legal e se envolve, de fato, com ele. Sendo que, nessa época, Amanda se transforma, cara. Aqui, temos dois casos de pessoas diferentes, que tratam o sexo de modo natural e prazeroso, sem muitas complicações, e que, aparentemente, vivem bem.
Eu, nas minhas confusões sexo-amorosas-sentimentais-finaceiras ( e eu poderia ficar colocando hífens ali pro resto da vida), tenho minhas dificuldades em conseguir separar as coisas. Tem dias, por exemplo, em que eu acordo estilo Sheila, sabe? Toda me querendo, com mais hormônios do que água no corpo e a fim de fazer de tudo com todos. Se eu achar um pra me satisfazer, até me entrego, mas, no dia seguinte, queridinha, falta pouco pra eu me entregar a um convento, pedindo o perdão eterno! Não que eu me sinta culpada, mas é que eu me sinto mal, mesmo. Ao mesmo tempo, achar alguém super legal a ponto de o sexo não ser uma culpa é tão difícil quanto ficar felizona, depois de dar pra um que eu conheci no dia anterior.
Ai, ai. Será que a parada é ficar virgem até o casório mesmo? Eu tenho uma outra amiga, a Vanessa, que me diz e jura de pé junto que é virgem até hoje. Em compensação, meu bem, a garota é baixa, mas muito baixa. (Baixa? Que termo estranho. De onde será que eu tirei isso? Nunca tinha ouvido falar...). Enfim, Vanessa me fala que nunca deu, mas dá no que falar. Gente, se já ta difícil achar um namorado, imagina um marido? E, mesmo se eu achasse, imagina só se ele fosse ruim na cama? Ah, aí eu iria virar Sheila pra sempre.
Pois é. A gente pensa, conversa, repensa, reconversa e nada de achar uma solução. Eu acho que as coisas devem tomar o seu fluxo normal, pra que o meu fluxo hormonal fique bem, né? Que que tem dormir com um cara legal, bacana, gente fina, bonito, que eu conheci há dois dias? Não pode surgir alguma coisa boa dali, afinal de contas?
Sei lá, né? Esse papo todo de sexo dá me dando, hum, vontade de... comer chocolate, de novo. Só falta criar uma super barra versão-homem, porque o prazer é quase o mesmo, e sem gastar com camisinhas. Vamos ao meu eterno e futuro marido, Mr. Hershey’s.
Eu confesso que já transei sem amar e já amei sem transar. Já fiz assim, assado, de um jeito, de outro. Não, Priscilete, isso não é uma lista de posições à la Kama Sutra. É uma lista de tentativas à la livros de auto-ajuda mesmo, pra tentar responder a essa questão que, porra, tá mais difícil que do que fazer os judeus e árabes fazerem as pazes. Quem sabe se eles transassem? Hum, não. Só iria piorar a situação, com certeza.
É fato que o sexo, pelo menos na minha concepção, deveria ser um ato mais valorizado do que é, hoje em dia. Eu acho que, pra chegarmos nesse estágio e tudo ser maravilhoso, deveria haver um conhecimento maior entre os futuros-embolados-no-lençol. Enxergo dessa maneira, sim, e, por mais que eu esteja parecendo uma música da “Noviça Rebelde”, acho que é desse jeito que as coisas deveriam ser, cara.
E olha que eu já tive minhas dúvidas, heim? Por exemplo, eu tenho uma amiga, aliás, duas amigas, que nem se conhecem, mas que têm mais ou menos o mesmo comportamento. Amanda e Sheila. Eu sei Sheila é um péssimo nome, eu sei. Mas, pobrezinha, foi a mãe dela que escolheu, né? Enfim, Sheila me impressiona, cara. Ela se envolve com um aqui, outro acolá. Se enrabicha com aquele cara do trabalho, com outro lá do buraco onde ela nasceu. E tá sempre tranqüila, calma e serena, sem medo de ficar sozinha pro resto da vida, sem medo de se envolver nem nada, até porque, segundo ela própria, ela não se envolve. Já conversei com Sheilinha milhões de vezes. Até a entendo. Mas acho estranho. Já Amanda consegue ter essa capacidade de desprendimento também. Tem fases em que ela tá mega piranha, assim, a ponto de que quase assustaria a Sheilinha. Porém, cedo ou tarde, ela acha um cara legal e se envolve, de fato, com ele. Sendo que, nessa época, Amanda se transforma, cara. Aqui, temos dois casos de pessoas diferentes, que tratam o sexo de modo natural e prazeroso, sem muitas complicações, e que, aparentemente, vivem bem.
Eu, nas minhas confusões sexo-amorosas-sentimentais-finaceiras ( e eu poderia ficar colocando hífens ali pro resto da vida), tenho minhas dificuldades em conseguir separar as coisas. Tem dias, por exemplo, em que eu acordo estilo Sheila, sabe? Toda me querendo, com mais hormônios do que água no corpo e a fim de fazer de tudo com todos. Se eu achar um pra me satisfazer, até me entrego, mas, no dia seguinte, queridinha, falta pouco pra eu me entregar a um convento, pedindo o perdão eterno! Não que eu me sinta culpada, mas é que eu me sinto mal, mesmo. Ao mesmo tempo, achar alguém super legal a ponto de o sexo não ser uma culpa é tão difícil quanto ficar felizona, depois de dar pra um que eu conheci no dia anterior.
Ai, ai. Será que a parada é ficar virgem até o casório mesmo? Eu tenho uma outra amiga, a Vanessa, que me diz e jura de pé junto que é virgem até hoje. Em compensação, meu bem, a garota é baixa, mas muito baixa. (Baixa? Que termo estranho. De onde será que eu tirei isso? Nunca tinha ouvido falar...). Enfim, Vanessa me fala que nunca deu, mas dá no que falar. Gente, se já ta difícil achar um namorado, imagina um marido? E, mesmo se eu achasse, imagina só se ele fosse ruim na cama? Ah, aí eu iria virar Sheila pra sempre.
Pois é. A gente pensa, conversa, repensa, reconversa e nada de achar uma solução. Eu acho que as coisas devem tomar o seu fluxo normal, pra que o meu fluxo hormonal fique bem, né? Que que tem dormir com um cara legal, bacana, gente fina, bonito, que eu conheci há dois dias? Não pode surgir alguma coisa boa dali, afinal de contas?
Sei lá, né? Esse papo todo de sexo dá me dando, hum, vontade de... comer chocolate, de novo. Só falta criar uma super barra versão-homem, porque o prazer é quase o mesmo, e sem gastar com camisinhas. Vamos ao meu eterno e futuro marido, Mr. Hershey’s.
terça-feira, 3 de março de 2009
Monólogo de Dois - Parte XVI
Outro dia desses, vieram me dizer que eu me apaixono demais. É mais ou menos assim: a cada semana, Priscila, você se vê, imagina, se empolga e vibra com um novo futuro-amor. Óbvio que o negócio não é tão passageiro, mas me fizeram pensar sobre os meus amores, inventados ou não. E sabe que que percebi? Que ver, imaginar, se empolgar e vibrar faz parte de mim. E não há pessoa nesse mundo que vá me fazer diferente, até porque, babe, isso é impossível.
Realmente, eu me apaixono com muita facilidade. E sabe por quê? Porque eu gosto de me sentir assim: ansiosa, esperançosa, empolgada, leve, flutuante. Feliz! Não que eu precise de outra pessoa o tempo todo pra ter felicidade, mas se sentir querendo alguém é uma das melhores sensações que eu, na minha humilde e calejada vida amorosa, já experimentei. Gosto disso mesmo. So what?
Além disso, me peguei pensando, também, se essa minha porta aberta do coração, mesmo que com muitos arranhões, pode significar que os meus sentimentos são baratos ou efêmeros demais, assim como os de uma criança pirracenta por um brinquedo na vitrine da loja. Sabe que eu cheguei a me sentir uma delas? Mas, depois de cinco minutos, me bateu a realidade (em que eu quero acreditar, pelo menos): nada nem ninguém pode julgar a durabilidade dos meus sentimentos, até porque quem os sente sou EU. Sou eu quem passa noites sem dormir, sonhando acordada. Sou eu que não consegue ficar um dia sem mandar uma mensagem babaca ou ir na página dele no orkut, só pra ter mais fontes pros meus sonhos. Sou eu que sofro. Eu que amo. Eu que quero.
(Eu, eu, eu, eu! Leonina demais, você.)
É evidente, sim, que, quanto mais tempo dura um sentimento, mais valorizado ele deve ser. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que aqueles novos devam ser desclassificados e ignorados. Afinal, é exatamente deles que pode surgir algo a mais, mais importante, mais forte, mesmo que, por vezes, eu tenha certeza de que nada possa ser mais forte do aquilo que eu tô sentindo, naquela sementinha de amor. (Cafona. Tá ficando boa, heim?)
Já dizia Cazuzinha, meu grande amigo que não cheguei a conhecer: adoro um amor inventado. Gente, qual é o problema nisso tudo? Me diz! Valorizo tanto amores que vêm com o tempo quantos amores que vêm com a mente e a vontade de ser feliz. Tanto o faço, que, muitas vezes, arrisco amizades, dinheiro, sono e tudo mais por aquilo. Aquilo que eu não sei bem o que é, mas que me comanda e não me deixa pensar muito bem. É, quase uma criança sedenta por uma Barbie de novo. Ouço conselhos, concordo com eles, mas de nada adianta. (Sensação de que já pensei nisso antes... Estranho!)
Agora, para com esses devaneios todos e fecha o olho. Lembra? Quando a gente fecha o olho, na cama, pode sonhar acordada. Com ele. E eu não me arrependo de nenhuma noite perdida, nenhuma mensagem mandada, nem de nada. Arrependida estaria se tivesse me segurado.
Realmente, eu me apaixono com muita facilidade. E sabe por quê? Porque eu gosto de me sentir assim: ansiosa, esperançosa, empolgada, leve, flutuante. Feliz! Não que eu precise de outra pessoa o tempo todo pra ter felicidade, mas se sentir querendo alguém é uma das melhores sensações que eu, na minha humilde e calejada vida amorosa, já experimentei. Gosto disso mesmo. So what?
Além disso, me peguei pensando, também, se essa minha porta aberta do coração, mesmo que com muitos arranhões, pode significar que os meus sentimentos são baratos ou efêmeros demais, assim como os de uma criança pirracenta por um brinquedo na vitrine da loja. Sabe que eu cheguei a me sentir uma delas? Mas, depois de cinco minutos, me bateu a realidade (em que eu quero acreditar, pelo menos): nada nem ninguém pode julgar a durabilidade dos meus sentimentos, até porque quem os sente sou EU. Sou eu quem passa noites sem dormir, sonhando acordada. Sou eu que não consegue ficar um dia sem mandar uma mensagem babaca ou ir na página dele no orkut, só pra ter mais fontes pros meus sonhos. Sou eu que sofro. Eu que amo. Eu que quero.
(Eu, eu, eu, eu! Leonina demais, você.)
É evidente, sim, que, quanto mais tempo dura um sentimento, mais valorizado ele deve ser. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que aqueles novos devam ser desclassificados e ignorados. Afinal, é exatamente deles que pode surgir algo a mais, mais importante, mais forte, mesmo que, por vezes, eu tenha certeza de que nada possa ser mais forte do aquilo que eu tô sentindo, naquela sementinha de amor. (Cafona. Tá ficando boa, heim?)
Já dizia Cazuzinha, meu grande amigo que não cheguei a conhecer: adoro um amor inventado. Gente, qual é o problema nisso tudo? Me diz! Valorizo tanto amores que vêm com o tempo quantos amores que vêm com a mente e a vontade de ser feliz. Tanto o faço, que, muitas vezes, arrisco amizades, dinheiro, sono e tudo mais por aquilo. Aquilo que eu não sei bem o que é, mas que me comanda e não me deixa pensar muito bem. É, quase uma criança sedenta por uma Barbie de novo. Ouço conselhos, concordo com eles, mas de nada adianta. (Sensação de que já pensei nisso antes... Estranho!)
Agora, para com esses devaneios todos e fecha o olho. Lembra? Quando a gente fecha o olho, na cama, pode sonhar acordada. Com ele. E eu não me arrependo de nenhuma noite perdida, nenhuma mensagem mandada, nem de nada. Arrependida estaria se tivesse me segurado.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XV
Olha, eu sempre fui uma pessoa bastante propensa à irritação. Desde um chinelo virado de cabeça pra baixo, até uma pessoa que limpa os dentes com a língua, fazendo aquele barulhinho insuportável, a irritação sempre foi minha fiel companheira. Agora, não há nada que me irrite mais, nesse mundo, do que não conseguir me controlar. Assim, controlar os outros é uma tarefa complicada, quase impossível, porque cada um tem a sua cabeça, né? Mas não conseguir controlar a você mesmo é quase um atestado de incompetência como ser humano racional. E emocional. Emocional! É aí que tá o problema.
Quando eu tô focada no trabalho, envolvida com o planejamento alguma viagem, enfim, momentos em que minha cabeça tá ocupada demais pra ficar pensando em relacionamentos fracassados e outros futuros, eu me pego pensando em como eu irei me portar, na próxima vez em que aquele anjo maldito, chamado Cupido, me machucar, sem dó nem piedade – mesmo vindo de um pretenso anjo -, com a sua flecha do amor, da paixão, do estar-a fim, enfim. Nesse período, é tudo muito fácil: “ah, Priscila, você irá fazer isso, ou irá fazer assado. Muito bem, então, a partir disso, se ele fizer assim, você vai e faz assado de novo. Perfeito! Um guru dos relacionamentos bem sucedidos.”
Muito bacana. Tudo resolvido, como um Jogo da Memória com duas figurinhas viradas pra baixo.
Porém (há sempre, SEMPRE, um “porém” no meio, pra estragar o meu “portanto” feliz), quando aquela viagem já foi feita, e quando o trabalho me deu um descanso – não bem quisto, que fiquei claro -, todos aqueles planos parecem ter ficado ou no meu antigo destino ou no meu escritório. Por quê? Porque, quando a vontade e o sentimento batem, não há joguinhos que se mantenham, posturas que se ponham ou objetivos racionais que se concretizem: é o coração, ele, somente ele, que vão comandar os seus passos, a sua mente, os seus pensamentos, idéias e tudo, tudo mais.
Porque não há nada que se compare a sonhar, antes de dormir, com algumas pessoas, imaginando situações que possam acontecer, encontros dignos de serem filmados pelo Walt Disney, e, no dia seguinte, dar de cara com o sonhado. Com a pessoa sonhada. E fazer o quê? Em vez de se portar como se tudo estivesse bem, como se VOCÊ, Priscila, estivesse muito bem resolvida com você mesma, sem nenhuma confusão, lá vai a Priscilinha, cumprimentar o rapaz: que ela faz? Dá um sorriso estranho. Tropeça no paralelepípedo. Faz uma gracinha sem graça, e sai, também sem graça. Tudo aquilo em que você tinha pensando fica só na cabeça, mesmo, esmagado pelo coração, imponente.
Pior ainda é quando esse cara é um amigo seu, de alguma maneira, ou sai sempre com você. Aí, queridinha, senta na boneca: ele já te conhece, bem ou mal, e sabe como é o seu jeito e seus trejeitos. Por isso, ou você vira, de repente, uma atriz magnânima e disfarça MUITO bem, ou o amigo-futuro-affair (quem dera) vai perceber, né? Se isso é bom ou ruim, eu não sei.
Eu tenho a leve impressão de que passei por essas reflexões e reclamações antes, mas não vou ficar nem um pouquinho surpresa se já tiver feito essa terapia toda comigo mesmo. É tudo a mesma coisa, sempre. Mesmo que a gente quebre a cara, caia no chão, e se levante depois, a nossa essência de amante continua a mesma. E sempre vai ser desse jeito desajeitado, confuso, sem muita coordenação. Fazer o quê?
Fazer o quê?
Sei lá. Pra que pensar? Afinal, na hora de agir, tudo vai sair ao contrário mesmo.
Quando eu tô focada no trabalho, envolvida com o planejamento alguma viagem, enfim, momentos em que minha cabeça tá ocupada demais pra ficar pensando em relacionamentos fracassados e outros futuros, eu me pego pensando em como eu irei me portar, na próxima vez em que aquele anjo maldito, chamado Cupido, me machucar, sem dó nem piedade – mesmo vindo de um pretenso anjo -, com a sua flecha do amor, da paixão, do estar-a fim, enfim. Nesse período, é tudo muito fácil: “ah, Priscila, você irá fazer isso, ou irá fazer assado. Muito bem, então, a partir disso, se ele fizer assim, você vai e faz assado de novo. Perfeito! Um guru dos relacionamentos bem sucedidos.”
Muito bacana. Tudo resolvido, como um Jogo da Memória com duas figurinhas viradas pra baixo.
Porém (há sempre, SEMPRE, um “porém” no meio, pra estragar o meu “portanto” feliz), quando aquela viagem já foi feita, e quando o trabalho me deu um descanso – não bem quisto, que fiquei claro -, todos aqueles planos parecem ter ficado ou no meu antigo destino ou no meu escritório. Por quê? Porque, quando a vontade e o sentimento batem, não há joguinhos que se mantenham, posturas que se ponham ou objetivos racionais que se concretizem: é o coração, ele, somente ele, que vão comandar os seus passos, a sua mente, os seus pensamentos, idéias e tudo, tudo mais.
Porque não há nada que se compare a sonhar, antes de dormir, com algumas pessoas, imaginando situações que possam acontecer, encontros dignos de serem filmados pelo Walt Disney, e, no dia seguinte, dar de cara com o sonhado. Com a pessoa sonhada. E fazer o quê? Em vez de se portar como se tudo estivesse bem, como se VOCÊ, Priscila, estivesse muito bem resolvida com você mesma, sem nenhuma confusão, lá vai a Priscilinha, cumprimentar o rapaz: que ela faz? Dá um sorriso estranho. Tropeça no paralelepípedo. Faz uma gracinha sem graça, e sai, também sem graça. Tudo aquilo em que você tinha pensando fica só na cabeça, mesmo, esmagado pelo coração, imponente.
Pior ainda é quando esse cara é um amigo seu, de alguma maneira, ou sai sempre com você. Aí, queridinha, senta na boneca: ele já te conhece, bem ou mal, e sabe como é o seu jeito e seus trejeitos. Por isso, ou você vira, de repente, uma atriz magnânima e disfarça MUITO bem, ou o amigo-futuro-affair (quem dera) vai perceber, né? Se isso é bom ou ruim, eu não sei.
Eu tenho a leve impressão de que passei por essas reflexões e reclamações antes, mas não vou ficar nem um pouquinho surpresa se já tiver feito essa terapia toda comigo mesmo. É tudo a mesma coisa, sempre. Mesmo que a gente quebre a cara, caia no chão, e se levante depois, a nossa essência de amante continua a mesma. E sempre vai ser desse jeito desajeitado, confuso, sem muita coordenação. Fazer o quê?
Fazer o quê?
Sei lá. Pra que pensar? Afinal, na hora de agir, tudo vai sair ao contrário mesmo.
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