Eu juro por tudo que é mais sagrado (mesmo que não valha a pena tanto juramento) que eu já tentei milhões de vezes. Olha, já conversei com meus amigos, numa mesa de bar; com minhas primas, em festas de família; com a minha terapeuta, quando esbarrei com ela na fila do cinema, e resolvi fazer uma rapidinha; enfim, com Deus e o mundo e, até agora, ainda não cheguei ao consenso: sexo e sentimentos são, afinal de contas, coisas separadas?
Eu confesso que já transei sem amar e já amei sem transar. Já fiz assim, assado, de um jeito, de outro. Não, Priscilete, isso não é uma lista de posições à la Kama Sutra. É uma lista de tentativas à la livros de auto-ajuda mesmo, pra tentar responder a essa questão que, porra, tá mais difícil que do que fazer os judeus e árabes fazerem as pazes. Quem sabe se eles transassem? Hum, não. Só iria piorar a situação, com certeza.
É fato que o sexo, pelo menos na minha concepção, deveria ser um ato mais valorizado do que é, hoje em dia. Eu acho que, pra chegarmos nesse estágio e tudo ser maravilhoso, deveria haver um conhecimento maior entre os futuros-embolados-no-lençol. Enxergo dessa maneira, sim, e, por mais que eu esteja parecendo uma música da “Noviça Rebelde”, acho que é desse jeito que as coisas deveriam ser, cara.
E olha que eu já tive minhas dúvidas, heim? Por exemplo, eu tenho uma amiga, aliás, duas amigas, que nem se conhecem, mas que têm mais ou menos o mesmo comportamento. Amanda e Sheila. Eu sei Sheila é um péssimo nome, eu sei. Mas, pobrezinha, foi a mãe dela que escolheu, né? Enfim, Sheila me impressiona, cara. Ela se envolve com um aqui, outro acolá. Se enrabicha com aquele cara do trabalho, com outro lá do buraco onde ela nasceu. E tá sempre tranqüila, calma e serena, sem medo de ficar sozinha pro resto da vida, sem medo de se envolver nem nada, até porque, segundo ela própria, ela não se envolve. Já conversei com Sheilinha milhões de vezes. Até a entendo. Mas acho estranho. Já Amanda consegue ter essa capacidade de desprendimento também. Tem fases em que ela tá mega piranha, assim, a ponto de que quase assustaria a Sheilinha. Porém, cedo ou tarde, ela acha um cara legal e se envolve, de fato, com ele. Sendo que, nessa época, Amanda se transforma, cara. Aqui, temos dois casos de pessoas diferentes, que tratam o sexo de modo natural e prazeroso, sem muitas complicações, e que, aparentemente, vivem bem.
Eu, nas minhas confusões sexo-amorosas-sentimentais-finaceiras ( e eu poderia ficar colocando hífens ali pro resto da vida), tenho minhas dificuldades em conseguir separar as coisas. Tem dias, por exemplo, em que eu acordo estilo Sheila, sabe? Toda me querendo, com mais hormônios do que água no corpo e a fim de fazer de tudo com todos. Se eu achar um pra me satisfazer, até me entrego, mas, no dia seguinte, queridinha, falta pouco pra eu me entregar a um convento, pedindo o perdão eterno! Não que eu me sinta culpada, mas é que eu me sinto mal, mesmo. Ao mesmo tempo, achar alguém super legal a ponto de o sexo não ser uma culpa é tão difícil quanto ficar felizona, depois de dar pra um que eu conheci no dia anterior.
Ai, ai. Será que a parada é ficar virgem até o casório mesmo? Eu tenho uma outra amiga, a Vanessa, que me diz e jura de pé junto que é virgem até hoje. Em compensação, meu bem, a garota é baixa, mas muito baixa. (Baixa? Que termo estranho. De onde será que eu tirei isso? Nunca tinha ouvido falar...). Enfim, Vanessa me fala que nunca deu, mas dá no que falar. Gente, se já ta difícil achar um namorado, imagina um marido? E, mesmo se eu achasse, imagina só se ele fosse ruim na cama? Ah, aí eu iria virar Sheila pra sempre.
Pois é. A gente pensa, conversa, repensa, reconversa e nada de achar uma solução. Eu acho que as coisas devem tomar o seu fluxo normal, pra que o meu fluxo hormonal fique bem, né? Que que tem dormir com um cara legal, bacana, gente fina, bonito, que eu conheci há dois dias? Não pode surgir alguma coisa boa dali, afinal de contas?
Sei lá, né? Esse papo todo de sexo dá me dando, hum, vontade de... comer chocolate, de novo. Só falta criar uma super barra versão-homem, porque o prazer é quase o mesmo, e sem gastar com camisinhas. Vamos ao meu eterno e futuro marido, Mr. Hershey’s.
terça-feira, 17 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
Monólogo de Dois - Parte XVI
Outro dia desses, vieram me dizer que eu me apaixono demais. É mais ou menos assim: a cada semana, Priscila, você se vê, imagina, se empolga e vibra com um novo futuro-amor. Óbvio que o negócio não é tão passageiro, mas me fizeram pensar sobre os meus amores, inventados ou não. E sabe que que percebi? Que ver, imaginar, se empolgar e vibrar faz parte de mim. E não há pessoa nesse mundo que vá me fazer diferente, até porque, babe, isso é impossível.
Realmente, eu me apaixono com muita facilidade. E sabe por quê? Porque eu gosto de me sentir assim: ansiosa, esperançosa, empolgada, leve, flutuante. Feliz! Não que eu precise de outra pessoa o tempo todo pra ter felicidade, mas se sentir querendo alguém é uma das melhores sensações que eu, na minha humilde e calejada vida amorosa, já experimentei. Gosto disso mesmo. So what?
Além disso, me peguei pensando, também, se essa minha porta aberta do coração, mesmo que com muitos arranhões, pode significar que os meus sentimentos são baratos ou efêmeros demais, assim como os de uma criança pirracenta por um brinquedo na vitrine da loja. Sabe que eu cheguei a me sentir uma delas? Mas, depois de cinco minutos, me bateu a realidade (em que eu quero acreditar, pelo menos): nada nem ninguém pode julgar a durabilidade dos meus sentimentos, até porque quem os sente sou EU. Sou eu quem passa noites sem dormir, sonhando acordada. Sou eu que não consegue ficar um dia sem mandar uma mensagem babaca ou ir na página dele no orkut, só pra ter mais fontes pros meus sonhos. Sou eu que sofro. Eu que amo. Eu que quero.
(Eu, eu, eu, eu! Leonina demais, você.)
É evidente, sim, que, quanto mais tempo dura um sentimento, mais valorizado ele deve ser. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que aqueles novos devam ser desclassificados e ignorados. Afinal, é exatamente deles que pode surgir algo a mais, mais importante, mais forte, mesmo que, por vezes, eu tenha certeza de que nada possa ser mais forte do aquilo que eu tô sentindo, naquela sementinha de amor. (Cafona. Tá ficando boa, heim?)
Já dizia Cazuzinha, meu grande amigo que não cheguei a conhecer: adoro um amor inventado. Gente, qual é o problema nisso tudo? Me diz! Valorizo tanto amores que vêm com o tempo quantos amores que vêm com a mente e a vontade de ser feliz. Tanto o faço, que, muitas vezes, arrisco amizades, dinheiro, sono e tudo mais por aquilo. Aquilo que eu não sei bem o que é, mas que me comanda e não me deixa pensar muito bem. É, quase uma criança sedenta por uma Barbie de novo. Ouço conselhos, concordo com eles, mas de nada adianta. (Sensação de que já pensei nisso antes... Estranho!)
Agora, para com esses devaneios todos e fecha o olho. Lembra? Quando a gente fecha o olho, na cama, pode sonhar acordada. Com ele. E eu não me arrependo de nenhuma noite perdida, nenhuma mensagem mandada, nem de nada. Arrependida estaria se tivesse me segurado.
Realmente, eu me apaixono com muita facilidade. E sabe por quê? Porque eu gosto de me sentir assim: ansiosa, esperançosa, empolgada, leve, flutuante. Feliz! Não que eu precise de outra pessoa o tempo todo pra ter felicidade, mas se sentir querendo alguém é uma das melhores sensações que eu, na minha humilde e calejada vida amorosa, já experimentei. Gosto disso mesmo. So what?
Além disso, me peguei pensando, também, se essa minha porta aberta do coração, mesmo que com muitos arranhões, pode significar que os meus sentimentos são baratos ou efêmeros demais, assim como os de uma criança pirracenta por um brinquedo na vitrine da loja. Sabe que eu cheguei a me sentir uma delas? Mas, depois de cinco minutos, me bateu a realidade (em que eu quero acreditar, pelo menos): nada nem ninguém pode julgar a durabilidade dos meus sentimentos, até porque quem os sente sou EU. Sou eu quem passa noites sem dormir, sonhando acordada. Sou eu que não consegue ficar um dia sem mandar uma mensagem babaca ou ir na página dele no orkut, só pra ter mais fontes pros meus sonhos. Sou eu que sofro. Eu que amo. Eu que quero.
(Eu, eu, eu, eu! Leonina demais, você.)
É evidente, sim, que, quanto mais tempo dura um sentimento, mais valorizado ele deve ser. Mas isso não quer dizer, de forma alguma, que aqueles novos devam ser desclassificados e ignorados. Afinal, é exatamente deles que pode surgir algo a mais, mais importante, mais forte, mesmo que, por vezes, eu tenha certeza de que nada possa ser mais forte do aquilo que eu tô sentindo, naquela sementinha de amor. (Cafona. Tá ficando boa, heim?)
Já dizia Cazuzinha, meu grande amigo que não cheguei a conhecer: adoro um amor inventado. Gente, qual é o problema nisso tudo? Me diz! Valorizo tanto amores que vêm com o tempo quantos amores que vêm com a mente e a vontade de ser feliz. Tanto o faço, que, muitas vezes, arrisco amizades, dinheiro, sono e tudo mais por aquilo. Aquilo que eu não sei bem o que é, mas que me comanda e não me deixa pensar muito bem. É, quase uma criança sedenta por uma Barbie de novo. Ouço conselhos, concordo com eles, mas de nada adianta. (Sensação de que já pensei nisso antes... Estranho!)
Agora, para com esses devaneios todos e fecha o olho. Lembra? Quando a gente fecha o olho, na cama, pode sonhar acordada. Com ele. E eu não me arrependo de nenhuma noite perdida, nenhuma mensagem mandada, nem de nada. Arrependida estaria se tivesse me segurado.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XV
Olha, eu sempre fui uma pessoa bastante propensa à irritação. Desde um chinelo virado de cabeça pra baixo, até uma pessoa que limpa os dentes com a língua, fazendo aquele barulhinho insuportável, a irritação sempre foi minha fiel companheira. Agora, não há nada que me irrite mais, nesse mundo, do que não conseguir me controlar. Assim, controlar os outros é uma tarefa complicada, quase impossível, porque cada um tem a sua cabeça, né? Mas não conseguir controlar a você mesmo é quase um atestado de incompetência como ser humano racional. E emocional. Emocional! É aí que tá o problema.
Quando eu tô focada no trabalho, envolvida com o planejamento alguma viagem, enfim, momentos em que minha cabeça tá ocupada demais pra ficar pensando em relacionamentos fracassados e outros futuros, eu me pego pensando em como eu irei me portar, na próxima vez em que aquele anjo maldito, chamado Cupido, me machucar, sem dó nem piedade – mesmo vindo de um pretenso anjo -, com a sua flecha do amor, da paixão, do estar-a fim, enfim. Nesse período, é tudo muito fácil: “ah, Priscila, você irá fazer isso, ou irá fazer assado. Muito bem, então, a partir disso, se ele fizer assim, você vai e faz assado de novo. Perfeito! Um guru dos relacionamentos bem sucedidos.”
Muito bacana. Tudo resolvido, como um Jogo da Memória com duas figurinhas viradas pra baixo.
Porém (há sempre, SEMPRE, um “porém” no meio, pra estragar o meu “portanto” feliz), quando aquela viagem já foi feita, e quando o trabalho me deu um descanso – não bem quisto, que fiquei claro -, todos aqueles planos parecem ter ficado ou no meu antigo destino ou no meu escritório. Por quê? Porque, quando a vontade e o sentimento batem, não há joguinhos que se mantenham, posturas que se ponham ou objetivos racionais que se concretizem: é o coração, ele, somente ele, que vão comandar os seus passos, a sua mente, os seus pensamentos, idéias e tudo, tudo mais.
Porque não há nada que se compare a sonhar, antes de dormir, com algumas pessoas, imaginando situações que possam acontecer, encontros dignos de serem filmados pelo Walt Disney, e, no dia seguinte, dar de cara com o sonhado. Com a pessoa sonhada. E fazer o quê? Em vez de se portar como se tudo estivesse bem, como se VOCÊ, Priscila, estivesse muito bem resolvida com você mesma, sem nenhuma confusão, lá vai a Priscilinha, cumprimentar o rapaz: que ela faz? Dá um sorriso estranho. Tropeça no paralelepípedo. Faz uma gracinha sem graça, e sai, também sem graça. Tudo aquilo em que você tinha pensando fica só na cabeça, mesmo, esmagado pelo coração, imponente.
Pior ainda é quando esse cara é um amigo seu, de alguma maneira, ou sai sempre com você. Aí, queridinha, senta na boneca: ele já te conhece, bem ou mal, e sabe como é o seu jeito e seus trejeitos. Por isso, ou você vira, de repente, uma atriz magnânima e disfarça MUITO bem, ou o amigo-futuro-affair (quem dera) vai perceber, né? Se isso é bom ou ruim, eu não sei.
Eu tenho a leve impressão de que passei por essas reflexões e reclamações antes, mas não vou ficar nem um pouquinho surpresa se já tiver feito essa terapia toda comigo mesmo. É tudo a mesma coisa, sempre. Mesmo que a gente quebre a cara, caia no chão, e se levante depois, a nossa essência de amante continua a mesma. E sempre vai ser desse jeito desajeitado, confuso, sem muita coordenação. Fazer o quê?
Fazer o quê?
Sei lá. Pra que pensar? Afinal, na hora de agir, tudo vai sair ao contrário mesmo.
Quando eu tô focada no trabalho, envolvida com o planejamento alguma viagem, enfim, momentos em que minha cabeça tá ocupada demais pra ficar pensando em relacionamentos fracassados e outros futuros, eu me pego pensando em como eu irei me portar, na próxima vez em que aquele anjo maldito, chamado Cupido, me machucar, sem dó nem piedade – mesmo vindo de um pretenso anjo -, com a sua flecha do amor, da paixão, do estar-a fim, enfim. Nesse período, é tudo muito fácil: “ah, Priscila, você irá fazer isso, ou irá fazer assado. Muito bem, então, a partir disso, se ele fizer assim, você vai e faz assado de novo. Perfeito! Um guru dos relacionamentos bem sucedidos.”
Muito bacana. Tudo resolvido, como um Jogo da Memória com duas figurinhas viradas pra baixo.
Porém (há sempre, SEMPRE, um “porém” no meio, pra estragar o meu “portanto” feliz), quando aquela viagem já foi feita, e quando o trabalho me deu um descanso – não bem quisto, que fiquei claro -, todos aqueles planos parecem ter ficado ou no meu antigo destino ou no meu escritório. Por quê? Porque, quando a vontade e o sentimento batem, não há joguinhos que se mantenham, posturas que se ponham ou objetivos racionais que se concretizem: é o coração, ele, somente ele, que vão comandar os seus passos, a sua mente, os seus pensamentos, idéias e tudo, tudo mais.
Porque não há nada que se compare a sonhar, antes de dormir, com algumas pessoas, imaginando situações que possam acontecer, encontros dignos de serem filmados pelo Walt Disney, e, no dia seguinte, dar de cara com o sonhado. Com a pessoa sonhada. E fazer o quê? Em vez de se portar como se tudo estivesse bem, como se VOCÊ, Priscila, estivesse muito bem resolvida com você mesma, sem nenhuma confusão, lá vai a Priscilinha, cumprimentar o rapaz: que ela faz? Dá um sorriso estranho. Tropeça no paralelepípedo. Faz uma gracinha sem graça, e sai, também sem graça. Tudo aquilo em que você tinha pensando fica só na cabeça, mesmo, esmagado pelo coração, imponente.
Pior ainda é quando esse cara é um amigo seu, de alguma maneira, ou sai sempre com você. Aí, queridinha, senta na boneca: ele já te conhece, bem ou mal, e sabe como é o seu jeito e seus trejeitos. Por isso, ou você vira, de repente, uma atriz magnânima e disfarça MUITO bem, ou o amigo-futuro-affair (quem dera) vai perceber, né? Se isso é bom ou ruim, eu não sei.
Eu tenho a leve impressão de que passei por essas reflexões e reclamações antes, mas não vou ficar nem um pouquinho surpresa se já tiver feito essa terapia toda comigo mesmo. É tudo a mesma coisa, sempre. Mesmo que a gente quebre a cara, caia no chão, e se levante depois, a nossa essência de amante continua a mesma. E sempre vai ser desse jeito desajeitado, confuso, sem muita coordenação. Fazer o quê?
Fazer o quê?
Sei lá. Pra que pensar? Afinal, na hora de agir, tudo vai sair ao contrário mesmo.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Monólogo de Dois - Parte XIV
Cansei de falar de amor. Cansei de pensar em amores. Cansei, inclusive, de procurar por eles e vivê-los, até mesmo! Não me venha chamar de covarde, porque eu juro que tentei. Me entreguei a um amor aqui. Me segurei mais um pouco em um outro acolá. Segui todas as regras que as minhas amigas me impuseram, obedeci a todos os conselhos que as minhas experiências me deram. Fiz a difícil com uns. A fácil e entregue à paixão com outros. Amores. Vários tipos, cores e formas deles! E pra quê? Pra acabar mergulhada na merda, Priscila. Mergulhada, afogada, nadando nela! Sendo soterrada por... Chega. Tô ficando enjoada.
E é engraçado, porque, quando a gente tá super apaixonada, não vê as coisas e nem as pessoas como as veríamos, caso estivéssemos em nosso estado normal. Sim, porque, quando envolvidos de sentimentos rosa e nojentinhos, é como se alguém viesse com uns óculos de natação tampados com fita isolante (Sabe aquele do Gugu? Nossa, que exímia referência cultural, querida.) e colocasse nos nossos olhos. A gente não pensa direito: parece perder toda a percepção obtida com a experiência da vida; todas as lições aprendidas parecem ter sido deixadas numa gaveta, amassadas por umas contas velhas e trancadas à chave. Então, lá vamos nós, naquela Montanha Russa no escuro, e sem cinto de segurança algum. Boa sorte. Sorte, sim, porque ela é mais do que necessária, nesses casos de amor. Amor. Há! Saco.
Bom, já que falar de amor é mais forte do que o meu atual nojo e desprezo por ele, deixa eu pensar de uma vez: sabe aquela história de que as pessoas têm que ser parecidas, pras coisas darem certo? Esquece. Aquela outra de terem os mesmo objetivos de vida? Bobeira, besteira, ladainha. O mais importante, além desses pré-requisitos todos, é a sorte, meu bem. Sorte, quando os dois estão na mesma sintonia, em relação aos sentimentos. Não importa que um dos dois esteja com-ple-ta-men-te envolvido com o outro, se esse outro, na verdade, não tá a fim de nada sério, no momento. Dá raiva. Dá irritação. Revolta, nervosismo, impotência agonizante. Tudo isso junto e misturado. Mas não há o que fazer! É pura falta de sorte e de compatibilidade de tempo.
Apesar disso tudo, posso falar? ODEIO casais fofos. Eu, quando apaixonada, me recuso a fazer o casal fofo. Jamais! Como assim, no meio da rua, me surge uma voz “fofa”, falada por uma marmanja vivida, ao pé do ouvido de um outro marmanjo crescido, que acha super bonitinho aquela demonstração pública de mongolice voluntária? Pelo amor de Deus! Tudo bem que – tenho que confessar – há poucas maneiras verbais, inventadas pela humanidade, pra expressar sentimentos, mas também não precisa apelar pra uma regressão mental, né?
Por mais irritante que possa ser, quem sou pra julgar como as pessoas se expressam? Pelo menos, elas se expressam, afinal de contas. Pior são aqueles outros que se vestem em uma capa dura de frieza e sarcasmo e se resguardam ao não-envolvimento. Dos males o menor, não é? Mesmo eu adorando estar apaixonada, e me sentir cega por aquele óculos do Gugu, e me jogar naquela Montanha Russa no escuro sem cinto, é bom – muito bom! –, de vez em quando, se entregar, sim, àquela capa de sarcasmo e veneno que borbulha e meter o pau nos apaixonadinhos! Morram todos!
Agora, para com essa zona sentimento-reflexiva, e vá se entregar à sua paixão, aliás, ao amor mais seguro e estável de todos: o meu pelo chocolate.
E é engraçado, porque, quando a gente tá super apaixonada, não vê as coisas e nem as pessoas como as veríamos, caso estivéssemos em nosso estado normal. Sim, porque, quando envolvidos de sentimentos rosa e nojentinhos, é como se alguém viesse com uns óculos de natação tampados com fita isolante (Sabe aquele do Gugu? Nossa, que exímia referência cultural, querida.) e colocasse nos nossos olhos. A gente não pensa direito: parece perder toda a percepção obtida com a experiência da vida; todas as lições aprendidas parecem ter sido deixadas numa gaveta, amassadas por umas contas velhas e trancadas à chave. Então, lá vamos nós, naquela Montanha Russa no escuro, e sem cinto de segurança algum. Boa sorte. Sorte, sim, porque ela é mais do que necessária, nesses casos de amor. Amor. Há! Saco.
Bom, já que falar de amor é mais forte do que o meu atual nojo e desprezo por ele, deixa eu pensar de uma vez: sabe aquela história de que as pessoas têm que ser parecidas, pras coisas darem certo? Esquece. Aquela outra de terem os mesmo objetivos de vida? Bobeira, besteira, ladainha. O mais importante, além desses pré-requisitos todos, é a sorte, meu bem. Sorte, quando os dois estão na mesma sintonia, em relação aos sentimentos. Não importa que um dos dois esteja com-ple-ta-men-te envolvido com o outro, se esse outro, na verdade, não tá a fim de nada sério, no momento. Dá raiva. Dá irritação. Revolta, nervosismo, impotência agonizante. Tudo isso junto e misturado. Mas não há o que fazer! É pura falta de sorte e de compatibilidade de tempo.
Apesar disso tudo, posso falar? ODEIO casais fofos. Eu, quando apaixonada, me recuso a fazer o casal fofo. Jamais! Como assim, no meio da rua, me surge uma voz “fofa”, falada por uma marmanja vivida, ao pé do ouvido de um outro marmanjo crescido, que acha super bonitinho aquela demonstração pública de mongolice voluntária? Pelo amor de Deus! Tudo bem que – tenho que confessar – há poucas maneiras verbais, inventadas pela humanidade, pra expressar sentimentos, mas também não precisa apelar pra uma regressão mental, né?
Por mais irritante que possa ser, quem sou pra julgar como as pessoas se expressam? Pelo menos, elas se expressam, afinal de contas. Pior são aqueles outros que se vestem em uma capa dura de frieza e sarcasmo e se resguardam ao não-envolvimento. Dos males o menor, não é? Mesmo eu adorando estar apaixonada, e me sentir cega por aquele óculos do Gugu, e me jogar naquela Montanha Russa no escuro sem cinto, é bom – muito bom! –, de vez em quando, se entregar, sim, àquela capa de sarcasmo e veneno que borbulha e meter o pau nos apaixonadinhos! Morram todos!
Agora, para com essa zona sentimento-reflexiva, e vá se entregar à sua paixão, aliás, ao amor mais seguro e estável de todos: o meu pelo chocolate.
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